A Copa do Mundo de 2026 promete movimentar não apenas os torcedores e o mercado tradicional de apostas esportivas, mas também um setor que cresce rapidamente em todo o mundo: os mercados de previsão. Segundo estimativas de analistas financeiros, plataformas como Kalshi e Polymarket podem alcançar até US$ 10 bilhões em volume negociado durante o torneio que será disputado nos Estados Unidos, México e Canadá.
O Mundial acontece em um momento decisivo para essas empresas, que enfrentam uma crescente pressão regulatória em diferentes países. Apesar da expansão acelerada nos últimos anos, governos ao redor do mundo vêm adotando medidas para restringir ou bloquear o funcionamento dessas plataformas.
Analistas do mercado financeiro projetam que a Copa do Mundo de 2026 deverá adicionar cerca de US$ 3 bilhões em novos contratos negociados, impulsionando o volume total do setor para até US$ 10 bilhões durante o período da competição.
Os números mais recentes mostram o crescimento acelerado desse mercado. A Polymarket registrou aproximadamente US$ 2,8 bilhões em volume negociado em suas operações internacionais e norte-americanas em apenas uma semana de junho. Já a Kalshi informou movimentação superior a US$ 4,5 bilhões no mesmo período. Especialistas do setor acreditam que a Copa do Mundo poderá representar um dos maiores eventos da história para essas plataformas, devido à enorme quantidade de partidas e ao interesse global gerado pelo torneio.
Diferentemente das apostas esportivas tradicionais, os mercados de previsão funcionam por meio da negociação de contratos vinculados à ocorrência de determinados eventos futuros. Os participantes compram ou vendem contratos relacionados a resultados esportivos, eleições, indicadores econômicos e diversos outros acontecimentos. O valor dos contratos varia de acordo com a expectativa coletiva dos usuários sobre a probabilidade de um determinado resultado acontecer.
Esse modelo faz com que as plataformas ocupem uma área considerada por muitos especialistas como uma zona cinzenta entre o mercado financeiro e os jogos de apostas. Nos últimos meses, diversos governos passaram a adotar medidas para limitar o acesso aos mercados de previsão. Espanha, Índia e Indonésia estão entre os países que recentemente implementaram restrições contra plataformas como Kalshi e Polymarket.
No Brasil, autoridades determinaram o bloqueio de dezenas de plataformas do segmento. Atualmente, apenas operações ligadas ao mercado econômico-financeiro podem funcionar sob supervisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), enquanto contratos relacionados a esportes e política seguem proibidos fora do ambiente regulado das apostas esportivas.
A União Europeia e vários países asiáticos também mantêm limitações semelhantes para esse tipo de serviço. O crescimento do setor tem alimentado discussões sobre a necessidade de regras específicas para esse modelo de negócio. Críticos apontam riscos relacionados ao uso de informações privilegiadas, manipulação de mercado e especulação excessiva.
Há ainda preocupações sobre contratos envolvendo eventos sensíveis, como conflitos internacionais, crises humanitárias e outros temas considerados delicados.
Por outro lado, defensores argumentam que os mercados de previsão ajudam a agregar informações coletivas e oferecem indicadores úteis para avaliar probabilidades de eventos futuros em diversas áreas. Mesmo com o aumento das restrições regulatórias, autoridades de vários países encontram dificuldades para impedir completamente o acesso às plataformas.
Ferramentas como redes privadas virtuais (VPNs) e sistemas baseados em criptomoedas permitem que usuários contornem bloqueios geográficos e realizem operações sem a necessidade de intermediários financeiros locais.
Para reforçar a segurança, empresas do setor têm ampliado mecanismos de monitoramento e firmado parcerias com companhias especializadas em análise de blockchain para identificar possíveis práticas irregulares e evitar manipulações.
Com a proximidade da Copa do Mundo de 2026, o setor se prepara para um teste sem precedentes. Ao mesmo tempo em que espera atingir volumes recordes de negociação, também deverá enfrentar uma fiscalização cada vez mais rigorosa por parte de reguladores ao redor do mundo.





