O debate sobre cassinos voltou ao centro da agenda no Congresso. O PL 2.234/2022, que autoriza a operação de resorts integrados com cassinos sob concessão e número limitado por estado, está pronto para votação no plenário do Senado, segundo o relator senador Irajá (PSD-TO). A proposta já passou pela Câmara e pelas comissões do Senado e, se aprovada sem mudanças, segue para sanção presidencial.
O que o projeto estabelece
- Modelo de resort integrado: cassinos inseridos em complexos turísticos (hotel, centro de convenções e entretenimento).
- Concessões limitadas por estado e exigências de compliance (KYC, PLD/FT, auditorias) para mitigar riscos de ilícitos.
- Tributação vinculada a áreas como saúde, educação, segurança e cultura.
- Publicidade e controles alinhados a práticas internacionais, segundo o relator.
Argumentos em disputa
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A favor: parlamentares, entidades do turismo e do setor hoteleiro projetam investimentos bilionários, geração de empregos e expansão do turismo. Cita-se que mais de 70% dos países da ONU já permitem alguma forma de jogo em ambiente regulado. Há também a tese de que regular reduz o mercado clandestino, amplia transparência e fortalece a fiscalização.
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Contra: críticos apontam risco de dependência em jogos, endividamento familiar e uso do setor para crimes financeiros, defendendo salvaguardas robustas e monitoramento contínuo.
Contexto histórico e comparação internacional
O Brasil teve cassinos entre as décadas de 1920 e 1940, até a proibição em 1946. Lá fora, Uruguai, Argentina, EUA, Portugal e Macau colhem receitas expressivas com jogos em polos turísticos, servindo de referência para o desenho regulatório brasileiro.
Relação com o mercado de bets
Enquanto as apostas de quota fixa (bets) já foram regulamentadas e movem cifras relevantes, segue a pergunta: por que os cassinos físicos avançam mais lentamente? Defensores do PL argumentam que a operação presencial é mais controlável (entrada restrita, monitoramento no local) e que o estigma histórico ainda pesa no debate político.
Impactos esperados (segundo defensores do projeto)
- Investimentos e empregos diretos e indiretos no turismo e em cadeias como construção, mobiliário, tecnologia e eventos.
- Efeito rede: qualificação profissional, calendário de shows/feiras e maior permanência média de turistas.
- Formalização de atividades hoje à margem, com melhor troca de informações entre regulador e operadores.
Salvaguardas e governança
Especialistas em direito e compliance destacam que a efetividade dependerá de:
- Agência reguladora forte e integração com COAF, Receita e MJ;
- Programas de jogo responsável (autoexclusão, limites, bloqueio a públicos vulneráveis);
- Rastreabilidade financeira (controles de origem de recursos e auditorias independentes);
- Transparência em licitações e contratos de concessão.
Não há data cravada para a votação em plenário; a decisão de pautar cabe à Presidência do Senado. Se aprovado e sancionado, o país iniciará a fase de regulamentação específica, editais de concessão e instalação dos primeiros empreendimentos.
Com informações fornecidas pelo usuário e trechos citados de declarações públicas de atores do setor e do Parlamento, incluindo menções da Revista Hotéis.






