O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou neste domingo (21/07) que o governo federal está preparando um conjunto de medidas para conter o avanço das apostas online no Brasil. Segundo ele, a prática passou a ser tratada como uma questão de saúde pública e medidas mais rígidas serão levadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva após seis meses de monitoramento do setor.
A declaração foi feita durante entrevista ao ICL Notícias, em conversa com o economista Eduardo Moreira, na sede do Ministério da Fazenda, em Brasília. Haddad adiantou que o plano do governo inclui restrições à publicidade, investigações sobre lavagem de dinheiro e diferenciação entre apostas esportivas e jogos de azar — como cassinos virtuais, que hoje dominam o mercado.
“Vamos tratar isso como um problema sério de saúde pública. A publicidade precisa ser revista, assim como foi feito com álcool e cigarro”, afirmou o ministro.
Haddad também revelou que fintechs estão sendo usadas como canais para operações ilegais ligadas a apostas, com envio de recursos ao exterior por meio de criptomoedas e transferências digitais. Segundo ele, mais de R$ 40 bilhões deixaram o país nos últimos anos sem regulação adequada.
Apesar de o governo ter arrecadado cerca de R$ 12 bilhões com a legalização das apostas, as perdas sociais foram muito maiores, com destaque para a população de baixa renda, que perdeu R$ 30 bilhões no ano anterior, segundo dados apresentados na entrevista.
Sobre o mercado de apostas, o ministro afirmou que as apostas esportivas representam apenas 20% do setor, enquanto o restante está nas mãos de cassinos virtuais, que segundo ele operam com pouca transparência e alto risco para os usuários.
“Eu apertava o botão do para. Não tem arrecadação que justifique essa roubada que nós chegamos”, disparou Haddad, sinalizando sua posição pessoal contrária à permanência das apostas online como estão hoje.
As medidas ainda estão em fase de elaboração, mas o ministro deixou claro que o atual modelo será repensado. Uma das possibilidades em análise é a proibição total dos cassinos online, enquanto as apostas esportivas podem ter regulação mais rígida e novas regras para publicidade — especialmente com foco na proteção de jovens e grupos mais vulneráveis.





