O mercado brasileiro de apostas e jogos online já alcança um volume expressivo de recursos, mas ainda convive com um desafio significativo: a atuação de plataformas não licenciadas. Levantamento recente indica que aproximadamente 30% de toda a movimentação financeira do setor ocorre fora do ambiente regulado, mesmo com o avanço das regras e a concessão de licenças no país.
De acordo com dados apresentados pela consultoria internacional H2 Gambling Capital, o faturamento anual do mercado legalizado no Brasil gira em torno de R$ 38 bilhões. A estimativa foi divulgada durante a apresentação “Mercado Brasileiro de Apostas: Tamanho, Comportamento e Desafios Regulatórios”, realizada na Casa Brasil, evento paralelo à ICE Barcelona, que reuniu especialistas, autoridades e representantes da indústria.
Para chegar aos números do mercado não regulamentado, a consultoria combinou diferentes fontes de informação. Entre elas, pesquisas diretas com apostadores, análise de transações via PIX disponibilizadas pelo Banco Central e métricas de tráfego digital. O cruzamento desses dados levou à conclusão de que cerca de R$ 15 bilhões em Gross Gaming Revenue (GGR) circulam anualmente fora do sistema oficial, valor equivalente a quase um terço do setor.
O estudo também analisou o comportamento do público brasileiro. Em uma amostra com 3.500 apostadores, cerca de 60% afirmaram priorizar sites devidamente licenciados. No entanto, 30% disseram não saber como identificar se uma plataforma possui autorização para operar, enquanto 20% demonstraram indiferença à regularização, optando por sites que oferecem bônus mais atrativos. Apenas uma parcela mínima, de 3%, declarou preferência explícita por operadores irregulares.
Segundo Ed Birkin, Managing Director da H2 Gambling Capital, a presença do mercado ilegal não é exclusividade do Brasil, mas diferenças metodológicas costumam inflar ou reduzir essas estimativas. Ele ressaltou que variações de poucos pontos percentuais na medição do mercado “offshore” podem alterar significativamente projeções de arrecadação, tributação e definição de políticas públicas.
Na comparação com outros países, o Brasil apresenta características semelhantes às de mercados maduros. Nações como Reino Unido, Itália e Austrália conseguem manter entre 60% e 85% das apostas em ambientes regulamentados, mesmo com regras rígidas e altas cargas tributárias. Para Birkin, considerando que o Brasil já possui mais de 70 operadores licenciados e cobertura ampla de produtos, seria pouco realista imaginar um nível de legalização muito inferior a esse patamar.
O estudo também traz um alerta a partir de experiências internacionais. O caso da Holanda é citado como exemplo de que regulações excessivamente restritivas podem gerar o efeito contrário ao desejado. Após o endurecimento das regras de publicidade e limites de apostas, a participação do mercado legal caiu de 69% para cerca de 50%, abrindo espaço para o crescimento de operadores irregulares.
Mesmo em cenários mais conservadores, nos quais o mercado ilegal representaria algo em torno de 27% do total, o volume financeiro movimentado fora da regulamentação ainda seria expressivo. Para a H2 Gambling Capital, esse dado reforça a importância de políticas equilibradas, que incentivem a migração dos apostadores para plataformas licenciadas sem comprometer a competitividade do setor.
Reconhecida internacionalmente, a H2 Gambling Capital atua em mais de 160 países e é referência em análises estratégicas para operadores, reguladores e investidores. O levantamento apresentado na Casa Brasil é considerado um dos estudos mais completos já realizados sobre o mercado de apostas no Brasil, oferecendo uma visão detalhada do cenário atual e dos desafios que ainda precisam ser enfrentados.





