A Betfair realizou um estudo inédito para analisar como decisões controversas de arbitragem poderiam ter mudado a história das Copas do Mundo caso o VAR estivesse disponível desde a primeira edição do torneio, em 1930. O relatório revisita lances decisivos e corrige, de forma retroativa, erros que marcaram diferentes gerações do futebol mundial.
Até o Mundial de 2014, disputado no Brasil, árbitros não contavam com apoio tecnológico e decisões equivocadas frequentemente influenciavam resultados. A proposta da Betfair foi justamente imaginar como partidas icônicas teriam se desenrolado se a tecnologia de revisão já estivesse presente.
O estudo completo está disponível na plataforma especial “O VAR nas Copas”, criada para que torcedores possam visualizar cada lance reavaliado e explorar cenários alternativos.
Impacto nos títulos do Brasil segundo o levantamento
A análise aponta que três das campanhas mais marcantes da Seleção Brasileira poderiam ter mudanças significativas caso o VAR existisse nas épocas correspondentes.
Em 1970, durante a semifinal contra o Uruguai, Pelé poderia ter sido expulso após um lance de cotovelada, o que, segundo a Betfair, colocaria em risco a presença do camisa 10 na decisão do tricampeonato.
No Mundial de 1994, o estudo considera irregular a falta marcada sobre Branco, que originou o gol da vitória contra a Holanda nas quartas de final. O erro, se corrigido, poderia alterar o caminho rumo ao tetra.
Já em 2002, um gol da Bélgica diante do Brasil nas quartas de final — anulado pela arbitragem — deveria ter sido validado segundo a revisão técnica, o que também poderia modificar o percurso que levou ao pentacampeonato.
Mesmo no torneio de 2014, sem título, o relatório afirma que o pênalti marcado sobre Fred na estreia contra a Croácia não deveria ter sido assinalado, o que mudaria o andamento da partida vencida por 3×1 pelo time brasileiro.
Campeão do mundo em 2002 e embaixador da Betfair, Rivaldo voltou a criticar o uso da tecnologia no futebol. Para o ex-jogador, mesmo com as ferramentas atuais, erros continuam acontecendo.
Segundo ele, “o VAR também se equivoca, assim como acontecia antes. Mesmo com seis ou sete pessoas analisando as imagens, decisões equivocadas seguem ocorrendo”. Rivaldo afirmou ainda que muitos profissionais envolvidos na checagem nunca jogaram futebol, o que, em sua visão, compromete a interpretação dos lances.
Para o ex-camisa 10, a ferramenta elimina parte da emoção e da “malandragem” do esporte, sem necessariamente fazer com que os erros desapareçam. Ele também destacou que, muitas vezes, situações simples deixam de ser corretamente identificadas pelo sistema.
Argentina de 1978 e 1986 também aparece entre as mais impactadas
O levantamento aponta que o título argentino de 1978 estaria sob questionamento caso o VAR existisse, incluindo revisões envolvendo pênaltis, gols anulados e decisões-chave da final contra a Holanda.
Já na Copa de 1986, o famoso gol de mão de Maradona contra a Inglaterra — eternizado como “La Mano de Dios” — seria anulado imediatamente com auxílio do vídeo. Sem a validação, o confronto seguiria empatado e poderia mudar o destino da campanha que terminou com o segundo título dos argentinos.
Erros decisivos também marcaram 2006 e 2010
O estudo relembra ainda episódios mais recentes. Em 2006, a Itália avançou às quartas após um pênalti inexistente sobre Fábio Grosso nos acréscimos do duelo contra a Austrália.
Em 2010, dois lances históricos ganham destaque:
- O gol legítimo de Frank Lampard, não reconhecido pela arbitragem, que empataria o jogo entre Alemanha e Inglaterra.
- O gol irregular de Tevez contra o México, validado mesmo com impedimento claro.
Ambos os casos seriam corrigidos se houvesse VAR disponível na época.
Ao todo, a Betfair identificou 26 erros de arbitragem que poderiam alterar resultados, campanhas e até títulos mundiais. Cada lance revisado está detalhado no site oficial da ação, permitindo que torcedores explorem possíveis desdobramentos de décadas de história do futebol.





